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RASQUEADO: MAS O QUE É ISSO????

É mais que um gênero musical. Rasqueado é uma manifestação folclórica de grande importância em todo o Mato Grosso, concentrando-se especialmente em Cuiabá.
Exige passo típico para quem o dança: o “rasta pé” ou o “levanta poeira”. Os pés se arrastam, nunca se levantam, em regra oposta ao lema número 1 da axé music, cujos ídolos pedem sempre: “tira o pé do chão!”. Aqui, não.
Dança-se colado ao parceiro, pernas quase entrelaçadas e é por isso chamado também de “mela cueca”, “rebuça e tchuça” ou “bate-coxa”.
Cresceu junto às camadas mais carentes da população, ganhou o gosto das elites locais e é hoje tratado como manifestação cultural.
Nasceu no período de colonização da província, contando com forte influência de paraguaios, bolivianos, espanhóis e outros povos.
Pede maestria a quem toca. É necessário “rasgar” as cordas do violão ou da viola de cocho.
Nem mais, nem menos. Rasqueado que é rasqueado, do puro mesmo, possui harmonia ímpar e impossível de ser adulterada. A aceleração do compasso já resulta em outro estilo, o “carimbó-rasqueado”. A desaceleração também tem outra identidade, sendo classificada como “Siriri descompassado”.
Suas letras são sintéticas, bem humoradas e, em geral, são inspiradas em episódios pitorescos, contando sempre uma historinha.
Atualmente, abordam também situações geográficas e comportamento.

RASQUEADO – Os fatos que mostram como o ritmo faz parte da História do Brasil

O “Rasqueado” surge com o fim da Guerra Tríplice. Os ribeirinhos se integraram com os paraguaios, que vieram lutar e depois optaram em fixar residência no Brasil, surgindo daí várias influências na comida, costumes e, principalmente, nas danças folclóricas, dando origem a polca paraguaia e ao siriri mato-grossense.
A junção da polca paraguaia, modulada por compasso binário, pulsante e larga, com o siriri mato-grossense, de percussão forte e origem negra-bantu, resultou no pré-rasqueado.
Com o advento da proclamação da República, o pré-rasqueado foi levado para as praças e logo caiu no gosto popular.
Rasquear é arrastar as unhas ou só o polegar sobre as cordas, sem pontear, influência essa de origem ibérica, bem ao estilo da música flamenca.
Hoje, os grandes expoentes em Mato Grosso, nesse ritmo, são a dupla Henrique e Claudinho e o cantor e compositor Pescuma.

“RASQUEADO” UM RITMO CONTAGIANTE

O Estado de Mato Grosso é muito conhecido devido as suas inúmeras belezas naturais, como o Pantanal e a Chapada dos Guimarães, e pela sua culinária peculiar. Mas, para quem ainda não o conhece, existe mais um bom motivo para se apaixonar por este lugar “abençoado pelos deuses”. É de lá que vem uma música cativante, que surgiu no fim do século XVIII, das influências mouras, africanas, luso, americanas e hispânicas. Quando somamos todos esses fatores podemos imaginar o ritmo maravilhoso, alegre, cheio de vida, que esta concentração de gêneros conseguiu produzir.
Há tanto o que falar sobre o Rasqueado, que _ por enquanto timidamente _ faz parte da nossa História. Se há pouco mais de 500 anos o Brasil foi descoberto, vale ressaltar que ainda tem muito o que desbravar neste país. Foi pensando assim que o Estado do Mato Grosso decidiu investir no gênero que faz parte da sua cultura e que, a partir de agora, o povo brasileiro merece conhecer. E o ponta pé inicial será dado pelo trio PESCUMA, HENRIQUE E CLAUDINHO.
Sabe aquela história: como é bom ter orgulho de sentir o gosto de terra no céu da boca? O Brasil é mais verde amarelo do que se pensa. Vamos levantar esta bandeira! Afinal, Mato Grosso é o coração da América do Sul. Reparem no mapa e vejam que a gente tem motivos de sobra para pulsar mais forte, com ritmo verdadeiro e genuinamente nosso.
(Arleyde Caldi)
 
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